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COMPANHIA PAULISTA DE ESTRADAS DE FERRO

Via Permanente:

Dormentação

Imagem acima: detalhe parcial da via da Paulista, entre Jundiaí e Campinas. Como podemos observar, as linhas na antiga CP eram de uma impecabilidade utópica para os dias de hoje, em que predominam o mato cobrindo trilhos e dormentes (muitos dos quais aprodrecidos, afora os que se encontram rachados), parafusos a menos nas talas de junção - dentre outras mazelas - e acidentes, muitos acidentes. A imagem acima, é um recorte de fotografia constante na obra Traçado de Ferrovias, de Jerônimo Monteiro Filho, publicada em 1955. Foto enviada por Hermes Yoiti Hinuy para o "site" de Antônio Augusto Gorni, e constante na seção The Road, relativa à Companhia Paulista. Clique aqui, para ver a foto completa, no "site"de A.A. Gorni.

 

Um dos aspectos relativos à boa qualidade de uma via, são os dormentes. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, nesse sentido, muito fez para que possuísse dormentes da melhor qualidade possível. Afim de aprimorar a qualidade de seus dormentes (e também da lenha utilizada por suas locomotivas a vapor), a Paulista passou a desenvolver pesquisas genéticas, visando a produção de um eucalipto de melhor qualidade. Este pioneirismo, todavia, não ficou restrito ao campo ferroviário: foi graças às suas pesquisas desenvolvidas no Horto de Rio Claro (clique para redirecionamento ao "site" de Marco Aurélio Álvares da Silva), pelo agrônomo Edmundo Navarro de Andrade (clique para redirecionamento ao "site" de Marco Aurélio Álvares da Silva), que o cultivo do Eucalipto foi implantado no Brasil.

O Serviço Florestal da Companhia Paulista, foi criado em 1909 "com o objetivo de fornecer madeira para dormentes, construção de vagões e, principalmente, como geradora de energia. Em 1923, totalizava 3.522,9 alqueires distribuídos pelos hortos de Jundiaí, Boa Vista, Rebouças, Tatu, Cordeiro, Loreto, Rio Claro e Camaquan. Neles se encontravam implantadas 8.506.000 árvores [...]. Chegou a possuir 14 hortos florestais, constituindo a maior pesquisa realizada, fora da Austrália, com eucalipto. Na direção desta pesquisa encontrava-se o agrônomo Edmundo Navarro, que obteve, nos Estados Unidos, a Medalha Morgan de Genética, com os resultados obtidos através de suas experiências." (SEGNINI, 1982: 63, 64) (1).

 

Imagem acima: detalhe da via da Paulista em Jundiaí Paulista, 1971. Esta imagem é um recorte de uma foto de Ivanir Ribeiro.

Veja, abaixo, um trecho da ata de reunião ocorrida em 21/06/1948 na Contadoria Geral dos Transportes, elucidativo no tocante à preocupação da Paulista, com a qualidade de seus dormentes. Com a palavra, neste "site", o Dr. Francisco Oliva, representante da Companhia Paulista naquele reunião:

"Dr. Francisco Oliva: Não resta dúvida que o material empregado na linha precisa ser de boa qualidade, para durar mais e dar menos trabalho (...) Quanto aos dormentes, davamos preferência, até pouco tempo, ao de faveiro, que havia ainda com alguma abundância no Estado de São Paulo. Hoje já está rareado essa qualidade, e, por isso, estamos sendo obrigados a empregar a peroba.(...)

Dr. Arthur Castilho: Poderia o ilustre Representante informar se o tratamento de dormentes de madeira branca está em uso?

Dr. Francisco Oliva: Ainda não fizemos essa experiência. Estamos, atualmente, procurando empregar dormentes de eucaliptus, o que até pouco não era julgado possível porque se estragava e tinha pequena duração. Entretanto, o Dr... Eng...., [...] fez o estudo do dormente de eucaliptus e imaginou um processo que, parece, dará bom resultado (...). A distribuição dos dormentes é feita do seguinte modo: efetuamos um exame de dormentação todos os anos, quilômetro por quilômetro, dormente por dormente, tomando nota e marcando os dormentes que devem ser substituídos, sendo a substituição feita..."

 

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