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COMPANHIA PAULISTA DE ESTRADAS DE FERRO

Vestígios do Império:

ESTAÇÕES

 

Imagem acima: detalhe da estação de Aterrado, desativada já há vários anos.

A gestão estatal da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a partir de 1961, representou um longo processo de desmantelamento. Se em seus últimos anos enquanto ferrovia privada, a Paulista começou a atravessar dificuldades financeiras em virtude da opção governamental pelo rodoviarismo, sob gestão estatal a ameaça, além de continuar vindo de fora, passou a vir, também, de dentro: sob gestão estatal, ramais inteiros foram desativados, milhares de ferroviários foram demitidos, o serviço de passageiros degradou-se, enfim, a lista é longa.

Em dezembro de 1998, a privatização da ex-Fepasa (que abrigava as linhas, material rodante e instalações remanescentes da antiga Paulista) acentuou este quadro, por si só já bastante degradado, devido a praticamente quatro décadas de gestões irresponsáveis. Nesse sentido e levando-se em conta o assunto abordado nesta página (estações), o próprio edital de desestatização da Malha Paulista (ex-Fepasa), antes mesmo de esta ser levada a leilão, já possuía embutida uma sentença de morte às estações remanescentes não apenas da antiga Compahia Paulista mas, também, das demais ferrovias que compunham a Fepasa: as normas elaboradas pelo BNDES fixavam, de antemão, que a concessionária que no leilão adquirisse a concessão para a exploração da ex-Fepasa, deveria operar apenas o transporte de cargas (devendo, contudo, continuar operando o transporte de passageiros, 12 meses após o início da concessão - prazo este prorrogado recentemente por intercessão da Secretaria de Estado dos Transportes junto à Ferroban , operadora privada das linhas da ex-Fepasa).

É necessário esclarecer, que se o que foi privatizado (concessionado) foi a exploração da via, as instalações e outros bens imóveis continuariam e permanecem sob responsabilidade da União e, não, da concessionária vencedora do leilão (que, pelas normas da desestatização da Malha Paulista, disporia de um determinado número de meses, para decidir com o que ficaria, no tocante ao patrimônio da Malha).

 

Imagem acima: recorte de notícia sobre o estado de abandono da estação de Americana, 10 meses após o processo de desestatização da Malha Paulista. Matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, em 31/10 / 99. Foto de Waldemar Padovani, Agência Estado.

 

O futuro das dependências e demais instalações imóveis da ex-Fepasa, nesse sentido, é bastante incerto. As estações encontram-se atualmente (abril de 2.000) fechadas e, em virtude de o Governo Federal não haver providenciado uma segurança adequada, logo nos primeiros meses o cenário se alterou radicalmente: muitas tiveram suas portas arrombadas, tendo sido depredadas e transformadas em "terra sem lei", habitada por traficantes e viciados em drogas, bem como por receptadores de bens roubados. Veremos, nas fotos a seguir, um pouco da atual e melancólica realidade de algumas destas estações. Algumas, como a da pequena cidade de Brotas, milagrosamente escaparam da sanha dos depredadores. Não sabemos, contudo, até quando: muitos prefeitos vêm tentando obter do Governo Federal o repasse destas estações, depósitos, ramais urbanos e pátios de manobras. Apesar de pretextarem a necessidade de eliminar de seus municípios a degradação representada por estas estações (o que é verdade) e argumentando os mais nobres motivos (transformação destes espaços em centros culturais, escolas, etc.), verdade é que um repasse de patrimônios pertencentes outrora à Fepasa, não deixaria de ser, ao mesmo tempo, um poderoso instrumento de reeleição, nas eleições que se aproximam ou nas próximas. As imagens que veremos a seguir, nesse sentido, talvez venham a ser as últimas destas estações, enquanto tais. Assim como a estação de Aterrado, muitas provavelmente se transformarão, em poucos anos, em verdadeiros vestígios arqueológicos daquela que já foi, há poucas décadas atrás, uma dentre as melhores ferrovias do mundo ocidental: a antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

 

Outros tempos - cena cotidiana na Estação de Pirassununga, num longínquo tempo em os apitos das locomotivas da Companhia Paulista eram utilizados, pelos habitantes das cidades cortadas pelos seus trens, para acertar o ponteiro - dos minutos - de seus relógios. Imagem pertencente ao acervo de Antônio Zerbetto e Rubens Zerbetto, cedida a Marco Aurélio Álvares da Silva para exposição em sua página sobre a Companhia Paulista, "O Trem em Pirassununga: o Ramal Cordeirópolis - Descalvado".

 

Estações em dezembro de 1999

Clique sobre as imagens, para vê-las ampliadas

 

Aterrado

 

Americana

     
         
   

Brotas

       
         
     

Campo Alegre

     

Ityrapina

     
         
   

 

     

Jaú

   

Limeira

       
         
     

 

Recanto

 

 

Santa Gertrudes

       

Sumaré

   

Tatú

     

 

Veja também, neste mesmo sítio:

Estações ex-Cia.Paulista, sob gestão da Fepasa

Sítios sobre estações CP, desativadas:

O Ramal Cordeirópolis-Descalvado - Marco A. Álvares da Silva

 

 

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